Juros: As taxas baixaram, compensa renegociar um empréstimo?

nota de 100Devido à redução gradativa praticada pelo COPOM (Comitê de Política Monetária) na Taxa Selic os bancos também efetuaram cortes nas taxas das operações de crédito que disponibilizam aos seus clientes.

Quem acompanhou esse processo pode verificar que todos os produtos oferecidos aos clientes tiveram reduções nas taxas de juros praticadas, tanto na Pessoa Física como para as empresas. Essa queda atingiu as taxas do cartão de crédito, limite de cheque especial, o cheque empresa, o capital de giro, os financiamentos de bens e os empréstimos pessoais.

Como marketing dessa queda as instituições financeiras enviam diversas correspondências, as conhecidas malas diretas, para os seus clientes oferecendo a quitação do empréstimo anterior e a concessão de uma nova operação com as novas taxas praticadas.

Mas será que compensa quitar uma operação antiga, com várias parcelas já pagas e contratar um novo empréstimo e começar a pagar tudo de novo?

Até a publicação da Resolução 3.516 do BACEN os descontos concedidos na quitação antecipada de qualquer empréstimo eram calculados com a mesma taxa da contratação, ou seja, se você contratou um empréstimo com a taxa de juros de 4,9% a.m. o desconto dos juros futuros seria calculado com a mesma taxa.

Acontece que muitos bancos ou financeiras cobravam uma tarifa sobre a quitação antecipada do empréstimo, sobre o argumento de quebra do contrato. Esta tarifa era estipulada em contrato e aceita pelas normas do BACEN.

Com a publicação da Resolução 3.516 a tarifa de quitação antecipada foi proibida, mas a maneira para calcular os descontos dos juros futuros também foi alterada.

Pela nova sistemática o cálculo do desconto dos juros futuros utiliza as Taxas Selic da data da concessão e a taxa de juros anuais contratada no empréstimo para o cálculo do Spread da operação. Somando-se o Spread com a taxa Selic da data de quitação resulta a taxa de juros anual que será utilizada para concessão do desconto dos juros futuros da operação.

Essa nova sistemática de cálculo adéqua a taxa de juros contratada ao nível da taxa de juros atual, ou seja, os juros futuros são calculados com uma taxa igual ou menor que a taxa que será utilizada no novo contrato.

Num cenário de queda da Taxa básica de juros, a Selic, o resultado dessa conta é uma taxa de juros menor que os juros praticados, pois a redução das taxas de juros dos empréstimos não é reduzida no mesmo ritmo ou agressividade que a Selic.

Para dar claridade aos conceitos explicados acima vamos demonstrar como o raciocínio acontece na prática.

Vamos considerar um empréstimo no valor de R$ 4578,00, a taxa de 1,99% a.m. em 36 parcelas de R$ 179,31, efetuado em 07/2008.

A taxa anual foi de 26,68% e a Selic no período era de 12,25% a.a.

Pela Resolução 3.516 o cálculo seria:

26,68 – 12,25 = 14,43 (spread)

14,43 + 8,75 (Selic atual) = 23,18% a.a. Taxa anual para desconto.

Com a taxa de 23,18% a.a. o valor para quitação da operação no mês corrente é de R$ 3.254,00. Considerando que faltam 22 parcelas (R$ 3944,82) o desconto é de apenas R$ 690,82.

Se o valor para quitação antecipada fosse refinanciado pelo mesmo prazo restante (22 meses) a uma taxa menor (1,90% a.m.) resultaria numa parcela de R$ 181,49, ou seja, maior que a parcela atual, sem considerar o valor do IOF da nova operação.

Fica evidente que com a redução da taxa Selic refinanciar aquele empréstimo com algumas parcelas pagas não é vantajoso, pois você não estará se beneficiando de uma taxa de juros que está menor no momento, pois o desconto dos juros futuros também é menor.

Portanto avalie novamente se você estava pensando em reduzir o prazo ou a parcela daquele empréstimo efetuado no ano passado, suas expectativas não serão concretizadas.

About these ads

7 Respostas

  1. Boa noite. Estou devendo ao Itau R$ 13.746,93 calculado por eles. me deram um desconto e a divida foi para R$ 11.866,87 e parcelaram 36x de R$ 521,29 esta correto essa taxa de juros? nos meus calculos a taxa de juros e de 2,7227%. Fico no aguardo. Renata

    • Renata,

      Obrigado pela Visita,

      No meu cálculo a taxa ficou em 3%, mas para analisar se esta correta ou não precisaria saber qual a taxa informada. Mas se seu questionamento é se a taxa é correta, no sentido de justa, é só verificar se a taxa da renegociação é menor que a cobrada na operação original.

      Paulo

  2. Fiz um empréstimo consignado ano passado (2011) com taxa de 2,14, e já paguei cerca de 4 parcelas…vale a pena refazer este empréstimo sobre as novas taxas de juros de 2012?????

  3. Este mês pago a terceira parcela do meu carro, agora baixou a taxa de juros, será que eu posso pedir desconto no dia de pagar a parcela ou só posso pedir se eu fosse liquidar todo carnê, uma vez que falta ainda 58 parcelas.

    Obrigada pela atenção.

    • Eunice,

      A taxa de juros básica da economia, a SELIC, aumentou para 10,75% a.a., portanto se ocorrer alguma alteração na taxa de juros no mercado será para cima.
      Mas independente da redução ou aumento da taxa de juros a possibilidade de desconto em parcelas de operações de crédito existe a qualquer momento. Mas se for a parcela do mês saiba que o desconto será irrisório, pois quanto mais longa a parcela maior o percentual de juros na sua composição, ou seja, nas parcelas mais próximas o maior percentual do valor é de abatimento do saldo devedor, o qual não é passível de desconto.

      Obrigado pela visita,

      Paulo

  4. Muito interessante a matéira!
    Não encontrei nenhum sistema (site, empresa, calculadora financeira online ou fórmula) que considere o fato de que nas prestações já pagas estão embutidos os juros futuros. Ou seja, o desconto deve ser maior do que simplesmente tirar os juros das prestações a vencer, afinal o sujeito paga em cada parcela um custo pela confiança que ele comprou para ter um crédito tão longínquo. Se por exemplo, o cidadão emprestar 30mil para pagar em 3X (poucos meses para facilitar o entendimento) com 2% de juros ao mês, pagar a primeira e quitar as duas restantes, ele vai pagar no total R$30994,14, ou seja 3,3% de juros, ao invés de 2%. Uma diferença enorme se o contrato for de muitos meses e o valor for alto. A menos que eu esteja errado…
    É por essas e outras armadilhas e artimanhas financeiras, como a forma de combinar a taxa Selic com o Spread, que deveriam criar um referencial único mundial de valor, que poderia ser, por exemplo, o preço de um sanduiche do McDonalds, o quilo do ouro, ou metro quadrado da lua ou alguma outra coisa concreta. Um referencial imune à desvalorizações. Assim, em qualquer lugar do mundo e em qualquer época, eu poderia saber que o meu salário, ou o meu produto ou um bem qualquer, vale tantos lunares, por exemplo – independentemente da moeda ou inflação local. Assim, um empréstimo teria como referencial esse valor. O cidadão tomaria emprestado um valor em Reais (R$) correspondente a tantos lunares para pagar em tantos meses a uma taxa de juros qualquer. Assim seria possível se saber, em lunares, o montante pago, o desconto no caso de antecipação, etc.
    Enfim, tanto conhecimento acumulado pela humanidade e ainda utilizamos sistemas monetários e financeiros rudimentares para dar valor às coisas.

Deixar uma resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

WordPress.com Logo

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Log Out / Modificar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Log Out / Modificar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Log Out / Modificar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Log Out / Modificar )

Connecting to %s

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

%d bloggers like this: