Monografia: A moeda: Um instrumento básico para a organização do sistema financeiro (1ª parte)

2- A moeda: Um instrumento básico para a organização do sistema financeiro

A moderna organização da atividade econômica apóia-se, essencialmente, na divisão do trabalho. Esse estágio de organização, na qual chegamos após a progressiva especialização das funções individuais e empresariais, pressupõe necessariamente a formação de um complexo sistema de trocas, cuja operacionalidade está associada ao funcionamento dos mercados, dos recursos de produção, de bens e serviços finais. A divisão do trabalho, que possibilitou as complexas e interdependentes redes de especialização, é um dos mais importantes fatores do desenvolvimento, e sem ela jamais as economias modernas ou de qualquer outra época teriam conseguido promover a expansão do bem estar material da sociedade (Rossetti, 1978). Podemos dizer que todo progresso econômico da atualidade está vinculada a esta especialização. O surgimento da moeda também foi um fator preponderante nesse processo, pois além de se constituir num instrumento imprescindível, encontra-se diretamente associada ao funcionamento e a organização dos modernos sistemas econômico-financeiros. É a moeda que propicia todas as formas de transações financeiras, constituindo-se no elo entre o trabalho desenvolvido pelos agentes produtivos e a posterior aquisição dos bens e serviços necessários a subsistência.

Nos primeiros momentos históricos em que a divisão do trabalho começou a ser praticada, ainda não haviam sido desenvolvidos sistemas monetários, as trocas realizavam-se de maneira primitiva, baseadas no escambo, ou troca diretas em espécie, seja produtos por produtos ou produtos por serviços. Esse sistema baseava-se nas necessidades inversas dos produtores, ou seja, na necessidade do agente A no produto do agente B e a necessidade do agente B no produto do agente A, o que nem sempre acontecia de maneira natural, além da inexistência de equivalências entre os produtos ofertados.

A evolução do sistema de escambo deu-se através da elegibilidade de algumas mercadorias em moeda de troca, as mercadorias-moeda. Essas mercadorias-moeda variaram enormemente entre regiões e conforme a época analisada, mas sempre apresentaram pelo menos duas características comuns: todas foram relativamente raras (para terem valor) e atenderam a importantes necessidades comuns (para terem aceitação sem dificuldades e restrições). Entre as mercadorias que foram eleitas como instrumentos monetários podemos citar o tabaco e as peles no Canadá, os peixes secos no norte da Europa e a lã, a seda, e o açúcar e o sal nos tradicionais mercados do oriente. Mas esse sistema ainda não era prático o suficiente para sustentar a operacionalidade de um sistema monetário, pois as mercadorias-moeda não possuíam valor constante e não podiam ser reserva de valores por períodos prolongados, por serem perecíveis na sua maioria, além da dificuldade de transporte.

As dificuldades na utilização de mercadorias como instrumento monetário fez com que quase todas as antigas civilizações adotassem o metal como referência monetária, pois os metais, em sua maior parte, eram raros, duráveis, fracionáveis e homogêneos (Rossetti,1978), além de apresentarem grande valor para um pequeno peso. Essas características conduziram os metais, principalmente os preciosos, como os agentes monetários preferenciais. Foi utilizado o ferro, o cobre, o bronze, mas os metais mais utilizados foram o ouro e a prata, pela sua relativa raridade, durabilidade e homogeneidade. Inicialmente os metais foram utilizados em diversas formas, lingotes, em pó, pepitas, etc.., o que necessitava de pesagem e avaliação por parte de peritos para sua utilização. Desse estágio inicial evoluiu-se para a cunhagem, a moeda. Os caracteres cunhados eram símbolos de grandes proprietários, de soberanos ou de chefes de Estado. Em sua origem a moeda é apenas uma mercadoria aceita mais geral e facilmente que as outras nas trocas, mas quando a autoridade pública passa a se responsabilizar pela cunhagem, a moeda perde o caráter de instrumento privado e facultativo das trocas e torna-se uma moeda pública cuja aceitação e obrigatória. Passa a ter curso legal e poder liberatório, ou seja, os credores e os vendedores são obrigados a aceitá-la em pagamento de seus créditos e suas mercadorias.

Paralelamente a evolução do metalismo desenvolveu-se embrionariamente os sistemas bancários. Desde a antiguidade temos registros de estabelecimentos criados especificamente para a guarda de metais, as casas de custódia. O aparecimento dos sistemas bancários talvez possa ser apontado como um dos momentos históricos da evolução da moeda, por terem sido a base e a origem da moeda-papel.

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