Monografia: A moeda: Um instrumento básico para a organização do sistema financeiro (final)

A moeda: Um instrumento básico para a organização do sistema financeiro

Com o desenvolvimento dos mercados, com a multiplicação dos bens e serviços disponíveis e com o acentuado aumento das operações de troca, não só locais, como inter-regionais e internacionais, o volume de moeda em circulação aumentaria consideravelmente durante o século XVIII e, sobretudo após a Revolução Industrial, ao longo do século XIX. Gradativamente, tornavam-se maiores as dimensões da atividade econômica e em conseqüência, o manejo das moedas metálicas, pelos riscos envolvidos e pelas dificuldades de transporte, tornavam-se desaconselhável para as transações de maior vulto. Impunha-se, assim, como fundamental para a continuidade do crescimento econômico e expansão das operações de troca, a criação de um novo conceito de instrumento monetário. Essas novas exigências levariam a utilização, como meios alternativos de pagamento, das letras de câmbio ou dos certificados de depósito de moedas metálicas emitidos pelas primeiras casas de custódia de valores. Originariamente esses estabelecimentos apenas custodiavam o ouro dos depositantes, emitindo um certificado, o qual era apresentado posteriormente para a retirada do mesmo ouro, deduzido de uma taxa pela guarda. Inicialmente os depositantes recebiam de volta as suas próprias peças originais, o que evolui posteriormente para a emissão de certificados de depósito relativos a determinada quantidade de ouro, prata ou moedas metálicas, que na reconversão não eram entregues aos mesmos depositantes. O grande salto que possibilitou as casas de custódias se transformarem em casas bancárias foi a percepção de que o lastro metálico que garantia as reconversões requeridas não precisava ser, necessariamente, igual ao total de valores dos certificados emitidos. Essa nova realidade percebida pelas, agora, casas bancárias possibilitou, dentro de certos limites, a concessão de créditos àqueles que necessitassem de financiamentos para seus investimentos. Os comerciantes por meio de operações de desconto de títulos comerciais obtinham créditos para a expansão de seus negócios. E os banqueiros, servindo como intermediários entre os cedentes (depositantes) e os tomadores, beneficiavam-se das receitas correspondentes aos juros.

As emissões desses títulos de valores pelas casas bancárias não possuíam, portanto, lastro suficiente de ouro ou prata que proporcionasse o pagamento de todos os títulos emitidos, o que representava considerável margem de risco. Esse risco ficou comprovado pelas inúmeras casas bancárias que foram à falência devido aos pedidos repentinos de saques dos seus depositantes. A evidência desse risco conduziu os poderes públicos a regulamentar o poder de emissão de notas bancárias, já então entendidas como papel-moeda. O direito de emissão de notas passou a ser confiado a uma única instituição bancária, controlada e ligada diretamente ao Estado. Surgiram, assim, os Bancos Centrais e as notas por eles emitidas passariam a ter garantias dadas pelas autoridades monetárias governamentais. As garantias de pagamento das notas emitidas pelo Estado, inicialmente, também eram baseadas no lastro metálico (reservas de ouro) do Tesouro Nacional, mas com o decorrer do tempo, devido ao seu curso forçado e garantido por lei o seu valor e seu poder liberatório, o papel-moeda seria desvinculado de quaisquer garantias metálicas. Com a imposição legal que impedia à emissão de papel-moeda as casas bancárias continuariam a exercer a função de custodiar os valores, funcionando como depositárias do novo instrumento monetário em circulação, o papel-moeda. Essa proibição possibilitou o surgimento da síntese das instituições bancárias, o comércio do dinheiro por meio da guarda dos valores recebidos dos seus depositantes e concessão de empréstimos a tomadores, gerando assim receitas através de juros e tarifas cobradas dos seus clientes.

Inicialmente uma pequena parte do dinheiro em circulação ficava, efetivamente, confiada aos Bancos existentes, devido às experiências anteriores com falta de recursos para pagamento dos valores em circulação. Gradativamente em decorrência do continuo desenvolvimento e expansão dos negócios os bancos foram conquistando a confiança do público e das empresas, embasadas pelo controle das autoridades monetárias sobre as instituições financeiras. Essa confiança proporcionou a criação da moeda escritural, o cheque, que representava a emissão de um papel lastreado por valores depositados numa conta bancária. O cheque foi o inicio dos diversos meios de pagamentos existentes na atualidade, os quais apontaremos no decorrer deste trabalho.

 

2 Respostas

  1. Oi Paulo!
    Estou procurando informação sobre uma empresa de Lichenstein, Fortuna Life Vaduz. Me ofereceram um seguro de vida com possibilidade de resgate no final (ainda em vida!). Moro na Espanha e a empresa que oferece, a OVB, parece que vai bem. Mas eu realmente nunca ouvi falar dessa empresa. A idéia é economizar por 29 anos (resgatar com 65). Começo colocando 680 euros por ano, no último colocaria 1570, pra resgatar no mínimo 35.000, com grandes possibilidades de resgatar 50.000.
    Você conhece essa empresa? Dá pra confiar?
    Um abraço,
    Patu Antunes
    (patuantunes@gmail.com)

    • Olá Patu Antunes,

      Obrigado pela visita, fico muito feliz de saber que o Blog já está “internacional”.

      Não tenho conhecimento sobre a empresa, mas no site é informado que trata-se de uma subsidiária integral da Generali (Suíça) Holding AG e a empresa mãe é a Assicurazioni Generali SpA sediada na Itália. A empresa tem como propaganda a possibilidade de utilizar a solidez do sistema financeiro Suiço e as vantages da comunidade Européia.
      Em visita ao site verifiquei algumas informações sobre o produto oferecido e pelo que pude perceber é um plano de previdência com cobertura em caso de morte.

      Aqui no Brasil as empresas que comercializam esse tipo de produto, em sua grande maioria, são parceiras de bancos comerciais, o que facilita a analise da proposta, pois se o banco possui solidez no mercado não se juntaria a uma empresa sem condições de honrar seus compromissos.

      No caso da Fortuna a venda é direta, portanto seria interessante buscar informações no mercado sobre a solidez da empresa e de suas coligadas.

      Desculpe não responder objetivamente sua pergunta, mas ainda não possuo amplo conhecimento internacional sobre as empresas que operam com seguro e previdência.

      Paulo

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