Monografia: O sistema bancário e sua distribuição no território brasileiro (parte 1)

A regionalização existente até a institucionalização do Banco do Brasil como agente do Estado no sistema financeiro não estimulou a criação de uma rede bem distribuída pelo território, como cita Flávio Saes:

“Não há dúvida que as histórias monetárias fazem amplo relato dos eventos referentes aos estabelecimentos bancários do Rio de Janeiro (…) uma vez que o desenvolvimento bancário em São Paulo se dá mais tarde”. (Saes, p.47)

A topologia bancária que se criou a partir de 1905 se limitou as grandes cidades do território e a sua quase inexistência no interior restringia o uso dos serviços bancários por fazendeiros e colonos, que preferiam moeda manual conforme cita Fábio Contel (2006).

A partir de 1915 o Banco do Brasil inicia a expansão da sua rede de atendimento para todos os estados da federação o que ocorre em 1921, já em 1928 a rede conta com 73 agências em todo território nacional.

“Pode-se dizer, portanto, que há um sentido “distributivo” da ação do Banco neste período, já que se preocupa em integrar o território do ponto de vista financeiro, independente do nível de desenvolvimento econômico dos estados da federação”. (Contel p.23)

No período compreendido entre 1905 e 1928 também temos a criação de diversas instituições financeiras, na sua grande maioria Bancos e Caixa Econômicas fundadas pelos estados da federação, que aumenta a quantidade de postos de atendimento e captação de depósitos no território.

Outro evento que marcou esta nova ordem do sistema bancário no país foi a criação das Câmaras de Compensação de cheques a partir de 1921. A partir deste ponto a moeda escritural ou contábil, o cheque, se torna o instrumento para a movimentação dos saldos bancários, melhorando a eficiência das transações comerciais e propiciando maior velocidade aos processos financeiros.

Os papéis exercidos pelo Banco do Brasil desde 1905 como Banco Comercial e agente do Estado e Banco do Tesouro da nação tornavam sua função de regulador (função da autoridade monetária do país) complicada, o que dificultava a adoção de políticas monetárias eficientes (Contel,2006).

Esta questão foi resolvida com a criação, em 1945, da Superintendência da Moeda e do Crédito, a SUMOC, que teria como função ser a autoridade monetária da nação. Entre as funções exercidas pela SUMOC podemos destacar: a política cambial e a sfiscalização de entrada e saída de capitais estrangeiros, a fixação das taxas de juros dos bancos comerciais, os tetos e taxas de redesconto do sistema financeiro e o percentual dos depósitos recebidos pelos bancos que deviam ser recolhidos à autoridade monetária ou a instituição indicada para isso, o compulsório.

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