Monografia: O sistema bancário e sua distribuição no território brasileiro (parte 2)

A SUMOC também define quais as instituições que comporiam a base do sistema financeiro do país: os bancos comerciais nacionais, os bancos estrangeiros e as Sociedades de Crédito, Financiamento e Investimento, as “financeiras”. Esse novo quadro constituído possibilitou a extensão da rede bancária existente, auxiliada pela expansão do meio técnico-científico, que gerou a necessidade de uma maior concessão de crédito e de captação das instituições financeiras, ou seja, a nova realidade de concessões de crédito incitava a abertura de novas agências e também a necessidade de captação de recursos.

“As instituições bancárias precisarão acompanhar as novas necessidades de financiamento das atividades econômicas, que se multiplicam num espaço geográfico cada vez mais integrado, diversificado e tecnizado”. (Contel, p.84)

Esse movimento possibilitou a ampliação do número de agências de 4.038 em 1951 para 6.826 em 1964, um crescimento de 69% destes fixos geográficos no período. Mas se até 1945 a ampliação da rede bancária no Brasil ocorria com o aumento de instituições existentes, a partir da criação da SUMOC ocorre um controle e uma concentração gerada pelo Estado visando ganhos de escala, em virtude do aumento dos custos operacionais dos bancos.

“… a SUMOC vai imprimir uma distribuição mais controlada da rede de agências bancárias no país. Isto é, além da Autoridade Monetária fomentar um processo de concentração bancária, interfere também no processo de distribuição das agências no território”. (Contel, p.55)

A relação de número de agências por instituição passa de 2,7 em 1944 para 19,9 em 1964. Esse processo foi possível pelas fusões/aquisições ocorridas neste período. Quanto a distribuição das agências pelo território era notório a concentração nas áreas com maior dinamismo econômico, como o Estado de São Paulo e da Guanabara. A nova distribuição destes “fixos geográficos” seria regulamentada pela Instrução nº 37 de 20/06/1951 que dividiu o território em três categorias, dependendo do grau de desenvolvimentos econômicos, produtivos e comerciais, relacionados à instalação quantitativa ideal de novas agências:

1- Zonas de captação de fundos, ou desenvolvidas, onde as atividades econômicas não conseguem absorver os recursos disponíveis;

2- Zonas Fluorescentes, já desenvolvidas, mas com capacidade de absorção de capital;

3- Zonas Novas, locais onde recentemente havia iniciado as atividades econômicas.

As ações aplicadas pela SUMOC obtiveram grande sucesso na distribuição das agências bancárias, conforme relata Vanessa Corrêa:

“Com o objetivo de controlar a atividade de abertura de agências bancárias para o período 1950/1960, as autoridades monetárias buscaram realizar algumas metas (…) Como conseqüência, a legislação implantada na década de 1950 acabou por determinar um crescimento absoluto de agências em todas as regiões”. (Vanessa Corrêa in Moeda  e Território, 2006)

Percebemos que no período de 1944 a 1964 o sistema bancário teve inicialmente um aumento sem controle estatal, no número de unidades e de instituições e a partir de 1951 esse aumento continua ocorrendo apenas no número de agências instaladas, enquanto que a quantidade de agentes envolvidos diminuiu devido a aquisições ou fusões que ocorreram no mercado.

O sistema bancário sempre se apoiou nas atividades comerciais para ampliar sua rede. Essa característica pode ser verificada no modo de ampliação da rede de agências durante toda sua evolução, pois desde o século XIX as instituições possuíam agências apenas nas localidades que apresentavam uma dinâmica, inicialmente comercial e posteriormente industrial. Nesse processo as redes ferroviárias se tornam referência na distribuição de agências, principalmente no Estado de São Paulo. Até 1905 o sistema bancário não havia se alicerçado no estado em decorrência do papel exercido pelos chamados “comissários do café” que concediam créditos aos barões do café, mas a partir da normatização do Banco do Brasil, essa função passou a ser exercida pelos bancos, visando o controle da atividade. Esse novo quadro estimulou a abertura de agências bancárias em diversas cidades do estado, que já possuíam uma dinâmica comercial em virtude do comércio do café, fato que já havia estimulado a instalação das ferrovias. Fábio Contel (2006, p.29) cita a capilaridade que a Caixa Econômica do Estado de São Paulo possuía em 1919, dois anos após a sua fundação, com 52 agências que atendiam praticamente todos os municípios servidos pela rede ferroviária do Estado. Podemos perceber uma relação interdependente entre os locais de consumo e de produção e o sistema bancário, como cita Leila Dias:

“A indústria se compõe de centros de produção unidos entre eles por um laço relativamente material, ou seja, pelas vias de transporte, e por um laço relativamente espiritual, ou seja, pelos bancos… Existem relações tão estreitas entre a rede de bancos e a rede de linhas de transportes, que um dos dois estando traçado, com a figura mais conveniente à melhor exploração do globo, o outro se encontra paralelamente determinado nos seus elementos essenciais”. (CHEVALIER apud Leila Dias 2000)

 

Seguindo as relações existentes entre linhas de transportes e bancos, ou seja, pela necessidade de crédito, a nova dinâmica de integração territorial imposta pelo Estado na década de 1960, por meio do sistema rodoviário, também influenciou a distribuição de novas agências bancárias no território nacional, no intuito de fomentar as novas fronteiras comerciais que surgiram com esta nova política de integração do território. A grande diferença entre o período atrelado as ferrovias e ao novo modelo é a maior abrangência do novo modal, propiciando uma maior capilaridade do sistema bancário.

“Houve uma possibilidade de aumento da circulação material, já que a ampliação desta rede-suporte permite uma integração capilarizada (dado ao expressivo alcance das redes) dos diferentes sistemas de ações produtivos instalados no território”. (Contel p. 98)

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