Monografia: O sistema bancário e sua distribuição no território brasileiro (final)

A partir da década de 1960 o país vivenciou uma grande expansão da rede bancária pelo território, não apenas pela maior abrangência proporcionada pelo modal rodoviário, mas principalmente pelas novas bases tecnológicas que passam a ser implementadas no território.   

A partir de 1962 o Estado Brasileiro cria vários órgãos, por meio do Código Brasileiro de Telecomunicações, com a tarefa de impulsionar a renovação da base de telecomunicações do País (Contel, 2006). Dentre os órgãos criados podemos citar o Sistema nacional de Telecomunicações, o Conselho Nacional de Telecomunicações, o Departamento Nacional de Telecomunicações e a Empresa Brasileira de Telecomunicações (EMBRATEL). Após a instituição destes órgãos é criada a TELEBRÁS (Telecomunicações Brasileiras S/A), empresa estatal responsável pela coordenação da infra-estrutura de telecomunicações do País e que através do Decreto nº 74.379, de 1974 “foi designada “concessionária geral” para exploração dos serviços públicos de telecomunicações em todo o território nacional”. (Anatel, 2006 apud Contel)  

Essa nova estrutura criada possibilitou a inclusão de diversos pontos do país na rede já formada, sendo evidenciada a partir de década de 1970, conforme cita Contel (2006, p.106), pelo inicio da utilização de satélites em 1969.  

“O sistema técnico composto pelos satélites em órbita, e seus respectivos retransmissores instalados em pontos estratégicos do território, conseguem conectar lugares inóspitos do espaço nacional, aumentando assim a quantidade de usos possíveis destas partes do território em questão”. (Castillo, 1999 apud Contel)  

Por meio de novas técnicas os bancos dão inicio ao processo de automatização das funções executadas, minimizando os serviços manuais efetuados por funcionários e criando os Centros de Processamento de Dados para centralizar as informações de toda a rede, o que era feito após o expediente nas agências, por meio de digitação em setores de retaguarda ou apoio. Com a introdução dos computadores na rede de atendimento esta conexão passou a ser on-line dinamizando ainda mais as operações executadas e oferecendo aos clientes informações atualizadas automaticamente sobres suas contas. Essa nova realidade eliminou a compensação de cheques que ocorria durante o período noturno, onde eram coletados os dados dos cheques recebidos durante o dia nas agências, para posterior troca entre os bancos. Com a informatização das agências esta coleta de dados é efetuada diretamente no caixa da unidade, assim como todos os demais serviços de digitação. O reflexo dessa nova estrutura criada pelo sistema bancário proporcionou uma maior “velocidade da circulação do dinheiro no território” (Contel, 2006, p.112), o que fica bem caracterizado após a implantação em 2002 do Sistema Brasileiro de Pagamentos (SBP) que proporcionou ao Banco Central o controle sobre as transferências financeiras entre instituições (para valores acima de R$ 5.000,00) através da Transferência Eletrônica Disponível (TED), que somente é efetivada se o Banco emitente possuir reservas (saldo) para cobertura da transação. Este novo fato possibilita ao BACEN um melhor controle sobre a situação das instituições financeiras, proporcionando maior segurança ao sistema financeiro.  

“O sistema bancário brasileiro foi talvez o principal beneficiário da introdução dos sistemas técnicos informacionais no território. Dada a enorme quantidade de dados e mensagens que os atores financeiros geram e gerenciam, a passagem de um meio técnico-científico, para um meio técnico-científico informacional aumentou sensivelmente a produtividade e a eficiência das ações bancárias no território”. (Contel, p.150)  

Esta nova integração do território passa a ser utilizada pelo sistema bancário possibilitando a diminuição dos espaços relativos e a centralidade de controle do sistema. Um número cada vez menor de agentes é necessário para organizar e controlar o sistema, pois os fixos geográficos cumprem o papel de atendimento ao cliente e o comando total da rede fica centralizado em determinados pontos. Conforme citamos anteriormente o Estado de São Paulo foi incluído no sistema bancário após a institucionalização do Banco do Brasil como regulador em 1905, o que não atrapalhou em nada a centralização do sistema nacional no Estado. O ciclo do café na região Sudeste, principalmente no estado de São Paulo proporcionou um grande acúmulo de capital, possibilitando um vigoroso dinamismo comercial, a implantação de linhas de transportes e de comunicações eficientes que por conseqüência, já que estão interligadas, a instalação de uma dinâmica rede bancária, inicialmente em toda a região, e posteriormente mais centralizada no Estado de São Paulo.   

“A diminuição dos centros de comando das finanças privilegia algumas cidades do território, que passam a abrigar a maior parte das sedes das instituições financeiras nacionais. São Paulo como notam os geógrafos Roberto Corrêa Lobato (1989; 2006), Milton Santos (1993), Leila Dias (1995) e Adriana Bernardes (2001) passa a ser neste período o centro de comando informacional e financeiro do País”.  (Contel, p.151)  

A cidade de São Paulo possui atualmente conexões com as principais cidades dos outros países, ou seja, é uma cidade mundial, tendo um papel fundamental em todas as ações efetuadas no território nacional. Esta importância deve-se ao fato das matrizes da maioria das grandes empresas multinacionais estarem sediadas na cidade de São Paulo, tornando-a o principal “nó”, do território brasileiro, de uma imensa rede de comando internacional. No sistema bancário não seria diferente, mesmo possuindo pontos descentralizados de comando pelo território, os principais bancos instalados no país tem na cidade de São Paulo sua matriz e principal ponto de controle.  

Tabela 1 

Quantitativo de instituições por tipo, e localização da matriz Posição: 31.12.2006  

Região/U F  

Banco Múltiplo  

Banco Comercial  

Caixa Econômica  

Total  

Nordeste  

9  

   

   

9  

Norte  

1  

1  

 

2  

Centro-Oeste  

4  

1  

1  

6  

São Paulo  

85  

14  

   

99  

Sudeste  

108  

18  

 

126  

Sul  

15  

1  

   

16  

Elaborado por Paulo S. C. Alonço   

Fonte de Dados Banco Central do Brasil em:  

http://www.bcb.gov.br/htms/Deorf/r200612/quadro3.asp?idpai=REVSFN200612   

Como podemos verificar na tabela X a quantidade de instituições que possuem a base de controle no Estado é de 99 instituições, ou seja, 62,26% das instituições presentes no país, considerando que o Banco do Brasil e a Caixa Econômica possuem sua sede em Brasília e os Bancos Estaduais nas suas respectivas capitais, esse percentual se torna ainda mais representativo, o que demonstra a importância do Estado no cenário nacional e internacional.

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