Monografia: As Fusões/incorporações bancárias

Com o fim dos ganhos inflacionários – principalmente das instituições com grandes valores em títulos públicos, e a redução da liquidez do sistema, devido à inexperiência nas concessões de crédito gerando altos índices de inadimplência –, resultou uma crise sistêmica no setor bancário, o que provocou a intervenção do Banco Central do Brasil no sistema bancário, por meio do aumento no percentual do compulsório e a limitação de prazos nas operações de crédito. O governo instituiu dois programas de reestruturação do sistema bancário, o Programa de Estimulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (PROER), com o objetivo de estimular a transferência do controle acionário dos bancos privados em dificuldades para instituições sem problemas, e o Programa de Estimulo à Redução do Setor Público na Atividade Bancária Estadual (PROES), com o objetivo de sanear os bancos estaduais.

Além das reestruturações internas ocasionadas pelo PROER e PROES, e, motivado pela liberação financeira do país com a inserção no fluxo internacional de capitais, várias instituições financeiras internacionais adquiriram bancos nacionais ou expandiram suas ações no país. Cabe ressaltar que no PROER foram investidos cerca de R$ 21 bilhões, mas apenas seis aquisições, de um total de cinqüenta e quatro, se efetivaram com esse financiamento, as mais importantes foram as dos bancos, Econômico, Nacional e Bamerindus, as demais quarenta e oito aquisições foram efetuadas sem financiamento público. Mesmo com o aporte de capital internacional os bancos que efetivaram mais aquisições foram de capital e controle nacional, o Bradesco e o Itaú.

Tabela 3

Maiores Compradores Pós 1994

Banco Comprador

Período

Quantidade de Aquisições

BRADESCO

JAN/97 A JAN/06

16

ITAÚ

JUL/95 A MAI/06

9

UNIBANCO

NOV/95 AJUN/04

8

ABN AMRO

JUL/98 A AGO/03

4

SANTANDER

DEZ/97 A NOV/00

4

Elaborado por Paulo S. C. Alonço  Fonte: Banco Central do Brasil – www.bcb.gov.br

As políticas adotadas pelo Estado (PROER, PROES), a concorrência existente no sistema financeiro, mais as fusões e incorporações que aconteceram após 1994, alteraram substancialmente o quadro de instituições financeiras no país. Cabe ressaltar que este processo permanece ativo até os dias atuais e continuará acontecendo em virtude da grande concorrência existente no setor e a incessante busca por ganhos de escalas e redução de custos.

Tabela 5

Variação do Número de Bancos 2000/2007

PERÍODO

2000

2001

2002

2003

2004

2005

2006

2007

Número de Bancos

192

182

167

165

164

161

159

156

Privados nacionais com e sem participação estrangeira

105

95

87

88

88

84

85

87

Privados estrangeiros e co controle estrangeiro

70

72

65

62

62

63

61

56

Públicos Federais e Estaduais

17

15

15

15

14

14

13

13

Banco Central do Brasil – http://www.bcb.gov.br

Na tabela 5 verificamos que as duas grandes mudanças referentes ao controle acionário das quinze maiores instituições financeiro do país foram a queda de 50% nas instituições que possuíam controle público (de oito em 1995 para quatro em 1998 e 2007) e o aumento dos bancos sob controle estrangeiro, passando de zero em 1995 para cinco em 1998 e seis em 2007. Se considerarmos todos os bancos múltiplos, existiam cinqüenta instituições estrangeiras com participação percentual variável em oitenta e três bancos do país em 2007 conforme dados do Banco Central. Essas mudanças demonstram o quanto as políticas monetárias efetuadas pelo Estado e a concorrência no sistema bancário desde a implantação do Plano Real em 1994 alterou a dinâmica do setor no país. Deve-se notar o crescimento que o Banco Itaú S/A apresentou no período 1995/2007, passando da sexta para a segunda posição no ranking das maiores instituições bancárias, e com a recente fusão anunciada com o Unibanco S/A (Outubro/2008) será o maior conglomerado financeiro da América Latina. Outro dado importante é o desaparecimento de grandes bancos no período, entre eles o Banespa, comprado pelo Santander (Espanhol), O Bamerindus, comprado pelo HSBC (inglês) e o Banco Real, comprado pelo ABN-AMRO (Holandês).  Na tabela 5 percebemos que a concentração do sistema continua o seu processo, pois em 2000 existiam 192 bancos em atividade no país contra 156 em 2007, representando uma queda de 18,75% nos números de atores no sistema.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: