Monografia: Número de agências bancárias x funcionários x postos de atendimento

Além das mudanças ocorridas na quantidade de instituições presentes no sistema financeiro e as alterações de controles acionários os bancos tiveram que se adaptar a novas exigências do mercado nacional e globalizado. O avanço tecnológico e a utilização maciça dos meios de comunicação que se iniciaram na década de 1970 foram amplamente acelerados após o Plano Real. Mas apenas melhorias técnicas não seriam suficientes para manter ou alavancar os lucros dos bancos, assim as instituições financeiras do país foram obrigadas a aumentar a disponibilidade de crédito, fomentar a venda dos produtos já existentes, criar novos produtos e tarifar todos os serviços prestados.

Paralelo, porém, sem similaridade ao que ocorreu nas décadas de 1910/1960, quando os bancos ampliaram seus pontos de atendimento em busca da captação de depósitos para ampliar sua capacidade de concessão de crédito, a nova dinâmica do sistema bancário após o Plano Real seguiu o mesmo caminho, pois os ganhos com a inflação já não existiam e ampliar as operações de crédito era fundamental para a sobrevivência das instituições. Neste contexto as instituições ampliaram seus pontos de atendimento, mas ao contrário das décadas de 1910/1960 as novas tecnologias propiciaram a abertura de postos de atendimento eletrônicos e correspondentes não bancários (Estabelecimentos comerciais que prestam diversos serviços bancários, como saques, recebimento de contas e depósitos), o que aumento ainda mais a capilaridade do setor no território.

Tabela 6

Variação do Número de Pontos de atendimento 2000/2007

PERÍODO

2000

2001

2002

2003

2004

2005

2006

2007

Número de Agências

16.396

16.841

17.049

16.829

17.260

17.515

18.067

18.308

Postos tradicionais (1)

9.495

10.241

10.140

10.045

9.837

9.527

10.220

10.427

Postos Eletrônicos

14.453

16.748

22.428

24.367

25.595

27.405

32.776

34.790

Correspondentes não bancários

13.731

18.653

32.511

36.474

46.035

69.546

73.031

84.332

Total de dependências

54.075

62.483

82.128

87.715

98.727

123.993

134.094

147.857

Podemos verificar que o número de agências aumentou 11,66% no período de 2000 a 2007, enquanto o total de pontos de atendimento evoluiu de 54.075 em 2000 para 147.857 em 2007, um aumento de 172,93%. Outros pontos que devem ser ressaltados na nova dinâmica do setor são a utilização dos convênios de arrecadação por meio do serviço de débito automático (Contas de consumo e afins) e a utilização da Internet.

Tabela 7                                                                          (Em milhões)

Atendimentos

Número

% sobre o Total

Caixas de agências

3.799

10,40%

Auto Atendimento

11.901

32,40%

Call Canter

1.194

3,30%

Internet Banking

6.163

16,80%

Débitos automáticos

8.995

24,50%

Número de cheques compensados

1.709

4,70%

Correspondentes e PDV*

2.921

8,00%

Total

36.682

100,00%

Nota: *PVD = Pontos de Vendas

Fonte: Febraban

Tabela 8

Numero de trabalhadores do setor bancário brasileiro -1994/2008

Ano

Número de empregados

1994

571.285

1995

558.692

1996

483.165

1997

446.830

1998

426.442

1999

406.315

2000

402.425

2001

400.802

2002

* não disponível

2003

389.074

2004

382.786

2005

402.977

2006

424.993

Elaborado por Paulo S. C. Alonço Fonte: Febraban.org.br/bd – Dados dos bancos participantes

Com relação aos postos de trabalho nos bancos brasileiros podemos verificar por meio da tabela 8 que o setor sofreu baixas expressivas nos três primeiros anos pós Plano Real, regredindo de 571.285 para 446.380 postos de trabalho, uma queda de 21,95%. Esse declínio se manteve, em menores taxas, até o ano de 2004 com uma redução de 33% no quadro de funcionários dos bancos em comparação com 1994. Apenas em 2005 o setor voltou a contratar, apresentando assim um número próximo daquele que existia em 1998.

Gráfico 1

in: http://www.dieese.org.br/notatecnica/notatec55FusaoBancaria.pdf

O impacto causado pela implantação do Plano Real ocasionou uma queda acentuada na lucratividade, baseada no processo inflacionário e no alto spread que existia nas operações de crédito, dos bancos brasileiros. Nos anos de 1995 e 1996 o sistema apresentou prejuízos, mas já em 1997 voltou a acumular altos lucros que se mantiveram na faixa dos R$ 5 bilhões até o ano de 2001. A partir do ano de 2002 a lucratividade dos bancos atingiu cifras acima dos R$ 10 bilhões iniciando uma curva ascendente chegando próximo dos R$ 30 bilhões em 2006.

Portanto podemos perceber que após o impacto inicial provocado pela estabilização monetária após o Plano Real em 1994 o sistema bancário passou por várias alterações, as quais possibilitaram que as instituições financeiras em atividade no país aprimorassem cada vez mais suas estruturas, reduzissem seus custos e alavancassem seus lucros. Vários fatores contribuíram para essa crescente rentabilidade do setor, dos quais podemos citar:

A redução no quadro de funcionários;

A terceirização de diversos serviços;

O direcionamento dos clientes para as lojas de auto-atendimento e outros canais alternativos;

O alto spread das operações de crédito devido à alta taxa de juros básico (SELIC1), aliado ao grande aumento das operações de crédito;

A livre cobrança de tarifas sobre os serviços prestados, as quais cobrem a totalidade dos custos com a folha de pagamentos de quase todos os bancos;

A massificação de produtos e serviços já existentes;

E a criação de novos produtos.

A estabilização monetária aliada aos baixos percentuais de participação das operações de crédito na renda nacional, hoje em torno de 30% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, principalmente nas operações de varejo (Crédito Pessoa Física), em conjunto com a ampliação dos prazos de pagamentos e financiamentos, possibilitando a um número crescente de pessoas a compra de bens de consumos duráveis, fomentou as concessões de crédito para as empresas e Pessoas Físicas. A atuação das financeiras nesse aspecto foi muito importante, através do CDC (Crédito direto ao consumidor) utilizado principalmente nos financiamentos de veículos. As financeiras já existentes, e várias que surgiram nessa nova fase, ampliaram sua participação no mercado possibilitando a concessão de crédito com menor burocracia, mesmo que a um custo mais elevado. Outro fato relevante foram as mudanças nas grandes lojas de departamentos, que passaram a emitir seus próprios cartões, inicialmente apenas para o uso interno e posteriormente externo, além de concederem empréstimos devido às mudanças na sua constituição, ou seja, passaram a agir como empresas financeiras e não apenas comerciais.

Com a estabilidade econômica e as facilidades apresentadas para a aquisição de crédito junto aos bancos, financeiras ou diretamente nas empresas, o setor produtivo do país teve um grande impulso, o que deveria ocorrer apenas com o aumento da renda da população, conforme questiona Schumpeter.

Não é um elemento das formas e necessidades fundamentais da vida industrial. Não faz parte da natureza econômica de nenhum indivíduo que deva contrair empréstimo para o consumo nem da natureza de nenhum processo produtivo que os participantes devam incorrer em dívidas para o propósito do consumo. (SCHUMPETER: 1985, p. 72 apud Jacob, 2003)

Além das operações de crédito outros produtos que também ganharam importância nessa nova fase do sistema bancário foram os títulos de capitalização; os seguros de vida, de veículos e de residência; os planos de previdência privada; o limite de cheque especial e os cartões de débito e crédito.


1Taxa básica de juros determinada pelo Banco Central e utilizada na remuneração dos títulos públicos e empréstimos intebancários.

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