Monografia: A Moeda Eletrônica – Cartões de Débito e Crédito (parte 2)

          Além dos bancos, várias lojas de grande porte também iniciaram a emissão de cartões próprios ou em parceria com grandes administradoras de cartões de crédito, ampliando ainda mais as possibilidades deste novo mercado. Esse processo se tornou possível com a perspectiva de se compartilhar dados entre as instituições e os pontos de atendimento em tempo muito curto ou real. Estas empresas demandavam uma malha que abrangesse o território nacional, ou melhor, que interligasse da forma mais eficiente possível os pontos de interesse (DIAS, 1996). Nesse ponto o estado de São Paulo sempre apresentou boas condições de atendimento às necessidades do setor e se consolidou como o grande concentrador dos conglomerados financeiros e principal ponto da rede financeira nacional.

          Toda essa base bem estruturada caracteriza o sistema bancário como uma importante peça do circuito superior da economia (Santos, 2004), pela sua capacidade tecnológica e de organização, mas paralelo a este circuito também se formava um circuito inferior.

           A existência de uma massa de pessoas com salários muito baixos ou vivendo de atividades ocasionais, ao lado de uma minoria com renda muito elevadas, cria na sociedade urbana uma divisão entre aqueles que podem ter acesso de maneira permanente aos bens e serviços oferecidos e aqueles que, tendo as mesmas necessidades, não têm condições de satisfazê-las. Isso cria ao mesmo tempo diferenças quantitativas e qualitativas no consumo. Essas diferenças são a causa e o efeito da existência, ou seja, da criação ou da manutenção, nessas cidades, de dois circuitos de produção, distribuição e consumo dos bens e serviços. (SANTOS, 2004, p.37)

            O sistema financeiro brasileiro tem sofrido várias mudanças nos últimos anos e a rede bancária que outrora atendia prioritariamente o circuito superior começa a se comportar de forma diferente. O sistema financeiro mostra sinais de interesse também no circuito inferior.

          A tecnologia em comunicação proporciona a facilidade de acesso ao crédito e um maior controle sobre as informações pessoais da população com a possibilidade de compartilhar informações sobre a adimplência/inadimplências do tomador nos órgãos de informações de crédito (SERASA, SCPC e SISBACEN[1]). Portanto em torno das empresas do ramo formou-se uma rede em que se pode controlar mais do que o dinheiro que circula entre a população, desde o circuito superior da economia até o circuito inferior por meio da recente inclusão bancária, pois os dados disponibilizados pelos órgãos ou empresas que prestam os serviços de analise e informações sobre as experiências anteriores dos clientes propicia ao sistema financeiro uma maior eficiência na concessão de crédito por meio do controle do percentual de comprometimento da renda, o que concede maiores condições de garantir a adimplência do tomador e de regular o mercado.

           O Banco Nossa Caixa S/A entrou definitivamente no mercado de cartões a partir do ano de 2003, através da criação de uma subsidiária de administração de cartão de crédito e a consolidação de parcerias com as duas maiores administradoras de cartões do país e do mundo: A Mastercard e a Visa. Essa parceria possibilitou uma grande emissão de cartões pelo Banco Nossa Caixa e uma rápida inserção neste mercado, considerando que o Banco Nossa Caixa possui quase a totalidade da sua rede de unidades no Estado de São Paulo, pois apenas cinco unidades se localizam fora do Estado.

 Tabela 10

MERCADO DE CARTÕES DE CRÉDITO
    2003 2004 2005 2006 2007
TOTAL DO PAÍS Nº cartões (milhões) 45 53 68 79 93
Nº transações (milhões) 1.100 1.400 1.700 2.000 2.400
Valor transações (bilhões) 88 101,3 123 151,2 183,1
NOSSA CAIXA Nº cartões (milhões) 0,04 0,37 0,83 1,3 1,7
Nº transações (milhões) 0,08 4,7 11,3 19,6 31,6
Valor transações (bilhões) 0,001 0,31 0,71 1,27 2,1
 % PARTICIPAÇÃO NOSSA CAIXA Nº cartões 0,09% 0,70% 1,22% 1,65% 1,83%
Nº transações 0,01% 0,34% 0,66% 0,98% 1,32%
Valor transações 0,00% 0,31% 0,58% 0,84% 1,15%
Elaborado por: Paulo S. C. Alonço Fontes: ABECS e DECAR – Depto de Cartões do Banco Nossa Caixa

          Em 2007 o Banco Nossa Caixa já havia emitido mais de 1,7 milhões de cartões de crédito, frente aos 93 milhões de cartões de crédito emitidos no país, o que representa 1,83% de participação no mercado, com menos de cinco anos de atuação, pois as emissões tiveram inicio em novembro de 2003. Diante da magnitude dos números e cifras envolvidos nas operações efetuados com cartões, os números apresentados pelo Banco Nossa Caixa S/A podem parecer insignificantes, mas é necessário ponderar o curto espaço de tempo que a instituição está presente num mercado bem alicerçado desde a segunda metade da década de 1990. Outro fator relevante é que os números utilizados referem-se ao total de cartões e utilizações do país. Se considerarmos o volume financeiro que circula no Estado de São Paulo, próximo de 40% do país, e fizermos uma equiparação com o total de 93 milhões de cartões, esse número cai para 37,2 milhões de cartões, onde a participação da Nossa Caixa seria de 4,56%, um número muito expressivo para a 11ª instituição financeira do país.

          Entre os usuários dos cartões do Banco Nossa Caixa S/A 49,7% são Profissionais liberais ou funcionários de empresas privadas e 40,9% são servidores públicos estaduais. Esses números demonstram o potencial de crescimento na venda de cartões que o Banco Nossa Caixa S/A detêm, pois os servidores públicos estaduais (aproximadamente 1.100.000) começaram a receber seus proventos através do banco somente em janeiro de 2007 e metade desse contingente não possui nenhum cartão do Banco Nossa Caixa.


[1] SERASA – Empresa Brasileira de analise de crédito/ SCPC – Serviço Central de Proteção ao crédito/ SISBACEN – Sistema de informações do Banco Central.

 

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Monografia: A Moeda Eletrônica – Cartões de Débito e Crédito (parte 1)

A história do cartão de crédito remonta à década de 1920, mas o primeiro cartão de crédito foi emitido em 1950 pelo Executivo Frank Macnamara com a denominação de Diners Club Card. Em 1956 por meio de franquia foi lançado o cartão Diners Club no Brasil, inicialmente como cartão de compras e não de crédito, apenas em 1968 é lançado o primeiro cartão de crédito por um banco, já o cartão de débito foi lançado somente em 1983. A utilização do cartão de crédito como meio de pagamento nos EUA e na Europa é bem difundido há várias décadas, mas no Brasil apesar de sua presença desde a década de 1950, como nos EUA, a sua aceitabilidade e ampla utilização só ocorreu na década de 1990, principalmente após o Plano Real e a estabilização da economia.

A partir do ano de 1995 ocorre uma crescente emissão de cartões de crédito e de débito, onde ano após ano a quantidade de cartões emitidos e ativos é cada vez maior. As novas tecnologias facilitaram em grande parte essa mudança no sistema de pagamentos, diminuindo vertiginosamente a emissão de cheques e ampliando a utilização dos meios de pagamentos eletrônicos, proporcionando mais segurança nas transações além do menor custo para o sistema. A utilização de cartões magnéticos proporcionada pelas novas tecnologias atingiu todas as modalidades de pagamento e nichos de mercado, desde os benefícios da Previdência Social (INSS), cartões telefônicos, vale Alimentação, vale transporte, lojas de departamentos, rede de combustível, cartão de contas bancárias e os cartões de crédito.

No ano 2000 o país já possuía 119 milhões de cartões emitidos, em 2003 esse número já alcançava 222 milhões, chegando em 2007 a quantidade de 436 milhões de cartões. Considerando que a população brasileira é de 183,9 milhões de habitantes (IBGE, 2007) podemos inferir que há uma emissão de 2,37 cartões por habitante. Um número muito expressivo, principalmente se considerarmos quem nem todos possuem condições etárias ou financeiras de possuir uma conta bancária, ou cartão de crédito.

Tabela 9

MERCADO DE CARTÕES

 

 

2000

2001

2002

2003

2004

2005

2006

2007

Total

Nº cartões (milhões)

119

151

183

22

277

338

386

436

Nº transações (bilhões)

1,3

1,6

1,9

2,2

2,9

3,6

4,3

5,1

Valor transações (bilhões)

69,2

93

110

134

167

209

254

311

Crédito

Nº cartões (milhões)

29

38

42

45

53

68

79

93

Nº transações (bilhões)

0,7

0,8

1

1,1

1,4

1,7

2

2,4

Valor transações (bilhões)

48,4

63,6

73

88

101

123

151

183

Débito

Nº cartões (milhões)

48

64

82

105

138

171

187

201

Nº transações (bilhões)

0,2

0,4

0,5

0,7

1,1

1,4

1,6

1,9

Valor transações (bilhões)

10,6

16,7

21,8

28,8

44,2

58,2

69,4

88

Loja e Rede

Nº cartões (milhões)

42

50

59

71

86

99

120

142

Nº transações (bilhões)

0,3

0,3

0,4

0,4

0,5

0,6

0,7

0,8

Valor transações (bilhões)

10,2

12,7

14,8

17,6

21,7

27,4

33,7

39,4

Fonte: ABECS, Associação Brasileira de empresas de cartões de crédito e serviços adaptado por Paulo S. C. Alonço

 

          A ampliação na utilização dos cartões de crédito ocasionou uma mudança nos circuitos da economia, principalmente nos últimos anos, devido à “abertura” do sistema bancário para os extratos sociais mais pobres. Vários bancos nos últimos anos buscam por meio da criação de produtos específicos e com a diminuição dos custos operacionais, atrair essa fatia da população, proporcionando a sua inclusão no sistema bancário de crédito e serviços. Essa nova realidade vem alterando significativamente as estruturas do circuito econômico, possibilitando aos novos membros do sistema financeiro um alargamento territorial do consumo que, anteriormente, era limitado ao entorno do trabalho e residência (crédito local).

Monografia: Resumo e Introdução

Resumo

O objetivo deste trabalho é apresentar sucintamente os fatores que propiciaram o surgimento do sistema bancário no mundo, sua instituição no Brasil e as alterações normativas e regulamentadoras que moldaram o sistema vigente no país e os impactos destas mudanças nos circuitos econômicos, principalmente após a implantação do Plano Real em 1994, que culminou numa grande reestruturação de todo o sistema por meio de mudanças nas atividades dos agentes financeiros do país. Entre os principais fatos que ocorreram após este evento citaremos as mudanças de controle acionário nas instituições ativas no país devido às aquisições por grupos estrangeiros, por meio dos programas de reestruturação do sistema (PROER e PROES) ou pela própria dinâmica do sistema. Para finalizar analisaremos as mudanças nos meios de pagamentos existentes, chegando aos meios eletrônicos proporcionados pelos cartões magnéticos de débito e crédito e sua representatividade nos dias atuais.

Palavras chave: Sistema Bancário, moeda, cartões de débito, cartões de crédito, Plano Real.

1- Introdução

Este trabalho tem como objetivo apresentar o surgimento do sistema bancário no Brasil, suas alterações e regulamentações e analisar os efeitos da nova dinâmica bancária, pós 1994, criada com a implantação do plano Real e com os novos produtos bancários lançados no mercado, especialmente a emissão e utilização dos cartões magnéticos de débito e crédito. Analisaremos os efeitos destas mudanças com vistas nos impactos causados nos circuitos da economia urbana e a conseqüente reorganização do espaço urbano. O nosso recorte espacial será o Estado de São Paulo em função da sua importância no cenário nacional, representando cerca de 40% da movimentação financeira do país e por possuir a maior rede bancária entre os estados brasileiros, com 32,70%[1] do total de agências bancárias do país. Devido a essa grande rede bancária existente no Estado, constituída por diversas instituições financeiras, optamos por aprofundar a questão da emissão dos cartões magnéticos em apenas uma instituição financeira, o Banco Nossa Caixa S/A. Esta escolha motiva-se pela representatividade da instituição no Estado, que atinge os vários segmentos da sociedade. O recorte temporal para a análise dos dados de emissão e utilização dos cartões de débito e crédito será o período de 2003 a 2007, onde verificaremos a grande ampliação destes meios de pagamento, viabilizada pelos avanços tecnológicos nas áreas de informática e comunicação, e pelas mudanças iniciadas em 1995 no sistema bancário. Buscaremos também apresentar a nova realidade do crédito proporcionada pelo cartão de crédito com abrangência internacional e o fim das barreiras territoriais do crédito em relação ao individuo comum da sociedade.

[1] Fonte: Banco Central do Brasil- 2006