Juros Bancários: Só a SELIC influencia?

A taxa SELIC, o juro básico da economia, se mantém em 8,75%a.a. desde julho/09. O processo de queda da SELIC foi acompanhado pela redução das taxas de juros praticadas pelo sistema bancário, em destaque para o cheque especial e o crédito pessoal.

A grande maioria das pessoas atrela as oscilações das taxas de juros praticadas pelos bancos diretamente ao aumento ou queda da taxa SELIC, mas não é tão simples assim.

A SELIC é um dos componentes que influenciam as taxas de juros praticadas pelas instituições financeiras, mas outros fatores, como o spread e a inadimplência, também tem impacto na composição dos juros do mercado financeiro.

Outra informação importante é a perspectiva futura da SELIC. O mercado já trabalha com a previsão de aumento da SELIC em 2010, com projeções de até 11,25% a.a. no final do ano.

Em pesquisa realizada pelo PROCON/SP em outubro/09 a maioria das instituições financeiras do país está praticando as mesmas taxas desde agosto ou setembro/09 e apenas uma instituição elevou a taxa de juros. Esse quadro demonstra que as taxas de juros estão estáveis há quase três meses, mas esse leve movimento de alta deve ser observado.

Se considerarmos que a inflação acumulada dos últimos doze meses está abaixo da meta de 4,5%a.a. traçada pelo BACEN (IPCA 4,17%), que a projeção do crescimento do PIB em 2010 é de quase 5% e a previsão de inicio do aumento da SELIC é apenas no segundo semestre/2010, não há motivos para aumento das taxas de juros em médio prazo.

Para explicar o aumento isolado de apenas uma instituição financeira só nos resta o índice de inadimplência. Os bancos estão emprestando muito dinheiro, o volume de valores concedidos em operações de crédito sobe a cada ano. É imprescindível que esse aumento constante nos empréstimos seja acompanhado pela qualidade do crédito, diminuindo o índice de inadimplência, possibilitando a manutenção ou até uma redução nas taxas praticadas pelas instituições, independente do movimento da taxa SELIC.

Portanto não basta ao mercado aguardar o aumento ou redução da SELIC para efetuar alterações nas taxas de juros praticadas, as instituições também precisam buscar uma maior qualidade na concessão das operações de crédito, aumentando a confiabilidade do sistema e como conseqüência melhorando as taxas oferecidas aos tomadores de crédito.

Juros nunca! Mas senão tem jeito, então o menor.

calculandoA data de crédito do pagamento é para muitos brasileiros um dia com sentimentos opostos.

Mas como?

A explicação é simples, nesse dia temos a definição exata de como anda a nossa vida financeira, pois se antes do crédito você percebe que além do valor que você aplica mensalmente é possível aplicar as sobras do mês anterior, que alegria.

Mas se você recebe seu salário, paga todas as despesas e percebe que o dinheiro acabou e se lembra que agora faltam 29 dias para receber novamente, a sensação é horrível.

Qual é solução para escapar dessa situação?

Muitos têm como alternativa a utilização do limite do cheque especial, o cartão de crédito ou cheques pré-datados, só que estas alternativas não resolvem o problema, mas o agravam ainda mais. Se os recursos já são insuficientes para cobrir todas as despesas o que acontece quando você ainda acrescenta juros bancários?  As despesas só aumentam.

Para que o problema não se torne crônico a postura correta é analisar friamente todas as despesas e cortar todos os gastos possíveis, ou seja, planejamento financeiro.

Mas e as dívidas já contraídas, como o cheque especial e o cartão de crédito?

A primeira providência é reduzir o custo dos juros no orçamento, transformando essas dívidas que cobram taxas de juros entre 9% e 15% a.m. num empréstimo pessoal com taxas que variam de 1,5% a 5% a.m. dependendo do perfil do cliente.

Na prática essa mudança somente será “sentida” ao final do parcelamento, pois você está trocando o pagamento dos juros do cheque especial e do cartão pela amortização da dívida. EX. Se você deve R$ 1.000,00 no cheque especial à taxa de 9% a.m., mensalmente você paga R$ 90,00 de juros e continua com a dívida de R$ 1.000,00. Optando por um empréstimo a uma taxa de 4,5% a.m. você pagará 18 parcelas de aproximadamente R$ 90,00 (o mesmo valor dos juros), mas a dívida estará quitada no final do empréstimo.

Mas lembre-se que se você optar pelo parcelamento, mas voltar a utilizar o limite do cheque especial ou o crédito rotativo do cartão a sua dívida era dobrar.

Ter crédito é ótimo, mas somente se usado com planejamento e consciente do impacto no seu orçamento mensal.