Monografia: A Internacionalização do crédito

A abertura do mercado brasileiro na década de 1990 possibilitou a entrada de diversas instituições financeiras por meio de aquisições de bancos e financeiras já instaladas no país ou do aumento de sua participação nas empresas em que já possuíam capital empregado. Contudo essa “invasão” internacional no sistema bancário apenas demonstra que o capital é totalmente fluido em relação ao território, pois as instituições financeiras que abarcaram seu capital em bancos no Brasil já possuem empresas, financeiras ou não, em diversos países pelo mundo. As bolsas de valores são outro exemplo da mobilidade financeira mundial possibilitando que os aplicadores possam migrar seus investimentos sempre que outro mercado se torne atrativo.

Essa característica do capital somente está presente quando se trata de grandes empresas e de investidores internacionais, pois no que se refere à pessoa física comum o crédito sempre está limitado à instituição da qual é cliente. Todos os bancos possuem diversas linhas de crédito a disposição de seus clientes, mas este crédito só acessível na instituição que a concede, em muitos casos apenas na agência onde detém a sua conta. Em conseqüência deste fato o crédito também se limita ao território onde a instituição está instalada, não sendo possível pleitear um empréstimo ou qualquer tipo modalidade de crédito em outro país e, no caso do Banco Nossa Caixa, as limitações territoriais são mais flagrantes, pois sua capilaridade territorial restringe-se ao estado de São Paulo e sete outros pontos fora de seu estado de origem (Campo Grande/MS, Curitiba e Londrina/PR, Belo Horizonte e Uberlândia/MG, Brasília/DF e Rio de Janeiro/RJ).

Uma exceção que podemos citar a esta regra é o cartão de crédito, pois mesmo sendo emitido aqui no Brasil, desde que na versão internacional, ele pode ser utilizado em todos os países que possuem empresas conveniadas as administradoras do crédito. O que abre essa possibilidade é que as administradoras de cartões de crédito estão presentes em quase todo o mundo, através dos contratos de emissão com bancos ou grandes empresas e pelas lojas conveniadas, onde milhões de estabelecimentos aceitam receber suas vendas ou prestação de serviços por esta modalidade de pagamento. Portanto um cliente do Banco Nossa Caixa, ou de qualquer outra instituição do país, que possua um cartão de crédito com abrangência internacional pode usufruir do limite de crédito concedido em quase todas as partes do mundo e pagar suas despesas com o cartão. Os gastos efetuados são convertidos da moeda local para a nossa moeda, o real, na próxima fatura de pagamento.

Ou seja, um banco territorialmente limitado como é o caso da Nossa Caixa, valendo-se das grandes empresas de cartão de crédito, pode, em certas modalidades, alargar suas latitudes.

Anúncios

Monografia: A moeda: Um instrumento básico para a organização do sistema financeiro (final)

A moeda: Um instrumento básico para a organização do sistema financeiro

Com o desenvolvimento dos mercados, com a multiplicação dos bens e serviços disponíveis e com o acentuado aumento das operações de troca, não só locais, como inter-regionais e internacionais, o volume de moeda em circulação aumentaria consideravelmente durante o século XVIII e, sobretudo após a Revolução Industrial, ao longo do século XIX. Gradativamente, tornavam-se maiores as dimensões da atividade econômica e em conseqüência, o manejo das moedas metálicas, pelos riscos envolvidos e pelas dificuldades de transporte, tornavam-se desaconselhável para as transações de maior vulto. Impunha-se, assim, como fundamental para a continuidade do crescimento econômico e expansão das operações de troca, a criação de um novo conceito de instrumento monetário. Essas novas exigências levariam a utilização, como meios alternativos de pagamento, das letras de câmbio ou dos certificados de depósito de moedas metálicas emitidos pelas primeiras casas de custódia de valores. Originariamente esses estabelecimentos apenas custodiavam o ouro dos depositantes, emitindo um certificado, o qual era apresentado posteriormente para a retirada do mesmo ouro, deduzido de uma taxa pela guarda. Inicialmente os depositantes recebiam de volta as suas próprias peças originais, o que evolui posteriormente para a emissão de certificados de depósito relativos a determinada quantidade de ouro, prata ou moedas metálicas, que na reconversão não eram entregues aos mesmos depositantes. O grande salto que possibilitou as casas de custódias se transformarem em casas bancárias foi a percepção de que o lastro metálico que garantia as reconversões requeridas não precisava ser, necessariamente, igual ao total de valores dos certificados emitidos. Essa nova realidade percebida pelas, agora, casas bancárias possibilitou, dentro de certos limites, a concessão de créditos àqueles que necessitassem de financiamentos para seus investimentos. Os comerciantes por meio de operações de desconto de títulos comerciais obtinham créditos para a expansão de seus negócios. E os banqueiros, servindo como intermediários entre os cedentes (depositantes) e os tomadores, beneficiavam-se das receitas correspondentes aos juros.

As emissões desses títulos de valores pelas casas bancárias não possuíam, portanto, lastro suficiente de ouro ou prata que proporcionasse o pagamento de todos os títulos emitidos, o que representava considerável margem de risco. Esse risco ficou comprovado pelas inúmeras casas bancárias que foram à falência devido aos pedidos repentinos de saques dos seus depositantes. A evidência desse risco conduziu os poderes públicos a regulamentar o poder de emissão de notas bancárias, já então entendidas como papel-moeda. O direito de emissão de notas passou a ser confiado a uma única instituição bancária, controlada e ligada diretamente ao Estado. Surgiram, assim, os Bancos Centrais e as notas por eles emitidas passariam a ter garantias dadas pelas autoridades monetárias governamentais. As garantias de pagamento das notas emitidas pelo Estado, inicialmente, também eram baseadas no lastro metálico (reservas de ouro) do Tesouro Nacional, mas com o decorrer do tempo, devido ao seu curso forçado e garantido por lei o seu valor e seu poder liberatório, o papel-moeda seria desvinculado de quaisquer garantias metálicas. Com a imposição legal que impedia à emissão de papel-moeda as casas bancárias continuariam a exercer a função de custodiar os valores, funcionando como depositárias do novo instrumento monetário em circulação, o papel-moeda. Essa proibição possibilitou o surgimento da síntese das instituições bancárias, o comércio do dinheiro por meio da guarda dos valores recebidos dos seus depositantes e concessão de empréstimos a tomadores, gerando assim receitas através de juros e tarifas cobradas dos seus clientes.

Inicialmente uma pequena parte do dinheiro em circulação ficava, efetivamente, confiada aos Bancos existentes, devido às experiências anteriores com falta de recursos para pagamento dos valores em circulação. Gradativamente em decorrência do continuo desenvolvimento e expansão dos negócios os bancos foram conquistando a confiança do público e das empresas, embasadas pelo controle das autoridades monetárias sobre as instituições financeiras. Essa confiança proporcionou a criação da moeda escritural, o cheque, que representava a emissão de um papel lastreado por valores depositados numa conta bancária. O cheque foi o inicio dos diversos meios de pagamentos existentes na atualidade, os quais apontaremos no decorrer deste trabalho.

 

Monografia: A moeda: Um instrumento básico para a organização do sistema financeiro (1ª parte)

2- A moeda: Um instrumento básico para a organização do sistema financeiro

A moderna organização da atividade econômica apóia-se, essencialmente, na divisão do trabalho. Esse estágio de organização, na qual chegamos após a progressiva especialização das funções individuais e empresariais, pressupõe necessariamente a formação de um complexo sistema de trocas, cuja operacionalidade está associada ao funcionamento dos mercados, dos recursos de produção, de bens e serviços finais. A divisão do trabalho, que possibilitou as complexas e interdependentes redes de especialização, é um dos mais importantes fatores do desenvolvimento, e sem ela jamais as economias modernas ou de qualquer outra época teriam conseguido promover a expansão do bem estar material da sociedade (Rossetti, 1978). Podemos dizer que todo progresso econômico da atualidade está vinculada a esta especialização. O surgimento da moeda também foi um fator preponderante nesse processo, pois além de se constituir num instrumento imprescindível, encontra-se diretamente associada ao funcionamento e a organização dos modernos sistemas econômico-financeiros. É a moeda que propicia todas as formas de transações financeiras, constituindo-se no elo entre o trabalho desenvolvido pelos agentes produtivos e a posterior aquisição dos bens e serviços necessários a subsistência.

Nos primeiros momentos históricos em que a divisão do trabalho começou a ser praticada, ainda não haviam sido desenvolvidos sistemas monetários, as trocas realizavam-se de maneira primitiva, baseadas no escambo, ou troca diretas em espécie, seja produtos por produtos ou produtos por serviços. Esse sistema baseava-se nas necessidades inversas dos produtores, ou seja, na necessidade do agente A no produto do agente B e a necessidade do agente B no produto do agente A, o que nem sempre acontecia de maneira natural, além da inexistência de equivalências entre os produtos ofertados.

A evolução do sistema de escambo deu-se através da elegibilidade de algumas mercadorias em moeda de troca, as mercadorias-moeda. Essas mercadorias-moeda variaram enormemente entre regiões e conforme a época analisada, mas sempre apresentaram pelo menos duas características comuns: todas foram relativamente raras (para terem valor) e atenderam a importantes necessidades comuns (para terem aceitação sem dificuldades e restrições). Entre as mercadorias que foram eleitas como instrumentos monetários podemos citar o tabaco e as peles no Canadá, os peixes secos no norte da Europa e a lã, a seda, e o açúcar e o sal nos tradicionais mercados do oriente. Mas esse sistema ainda não era prático o suficiente para sustentar a operacionalidade de um sistema monetário, pois as mercadorias-moeda não possuíam valor constante e não podiam ser reserva de valores por períodos prolongados, por serem perecíveis na sua maioria, além da dificuldade de transporte.

As dificuldades na utilização de mercadorias como instrumento monetário fez com que quase todas as antigas civilizações adotassem o metal como referência monetária, pois os metais, em sua maior parte, eram raros, duráveis, fracionáveis e homogêneos (Rossetti,1978), além de apresentarem grande valor para um pequeno peso. Essas características conduziram os metais, principalmente os preciosos, como os agentes monetários preferenciais. Foi utilizado o ferro, o cobre, o bronze, mas os metais mais utilizados foram o ouro e a prata, pela sua relativa raridade, durabilidade e homogeneidade. Inicialmente os metais foram utilizados em diversas formas, lingotes, em pó, pepitas, etc.., o que necessitava de pesagem e avaliação por parte de peritos para sua utilização. Desse estágio inicial evoluiu-se para a cunhagem, a moeda. Os caracteres cunhados eram símbolos de grandes proprietários, de soberanos ou de chefes de Estado. Em sua origem a moeda é apenas uma mercadoria aceita mais geral e facilmente que as outras nas trocas, mas quando a autoridade pública passa a se responsabilizar pela cunhagem, a moeda perde o caráter de instrumento privado e facultativo das trocas e torna-se uma moeda pública cuja aceitação e obrigatória. Passa a ter curso legal e poder liberatório, ou seja, os credores e os vendedores são obrigados a aceitá-la em pagamento de seus créditos e suas mercadorias.

Paralelamente a evolução do metalismo desenvolveu-se embrionariamente os sistemas bancários. Desde a antiguidade temos registros de estabelecimentos criados especificamente para a guarda de metais, as casas de custódia. O aparecimento dos sistemas bancários talvez possa ser apontado como um dos momentos históricos da evolução da moeda, por terem sido a base e a origem da moeda-papel.

Monografia: Resumo e Introdução

Resumo

O objetivo deste trabalho é apresentar sucintamente os fatores que propiciaram o surgimento do sistema bancário no mundo, sua instituição no Brasil e as alterações normativas e regulamentadoras que moldaram o sistema vigente no país e os impactos destas mudanças nos circuitos econômicos, principalmente após a implantação do Plano Real em 1994, que culminou numa grande reestruturação de todo o sistema por meio de mudanças nas atividades dos agentes financeiros do país. Entre os principais fatos que ocorreram após este evento citaremos as mudanças de controle acionário nas instituições ativas no país devido às aquisições por grupos estrangeiros, por meio dos programas de reestruturação do sistema (PROER e PROES) ou pela própria dinâmica do sistema. Para finalizar analisaremos as mudanças nos meios de pagamentos existentes, chegando aos meios eletrônicos proporcionados pelos cartões magnéticos de débito e crédito e sua representatividade nos dias atuais.

Palavras chave: Sistema Bancário, moeda, cartões de débito, cartões de crédito, Plano Real.

1- Introdução

Este trabalho tem como objetivo apresentar o surgimento do sistema bancário no Brasil, suas alterações e regulamentações e analisar os efeitos da nova dinâmica bancária, pós 1994, criada com a implantação do plano Real e com os novos produtos bancários lançados no mercado, especialmente a emissão e utilização dos cartões magnéticos de débito e crédito. Analisaremos os efeitos destas mudanças com vistas nos impactos causados nos circuitos da economia urbana e a conseqüente reorganização do espaço urbano. O nosso recorte espacial será o Estado de São Paulo em função da sua importância no cenário nacional, representando cerca de 40% da movimentação financeira do país e por possuir a maior rede bancária entre os estados brasileiros, com 32,70%[1] do total de agências bancárias do país. Devido a essa grande rede bancária existente no Estado, constituída por diversas instituições financeiras, optamos por aprofundar a questão da emissão dos cartões magnéticos em apenas uma instituição financeira, o Banco Nossa Caixa S/A. Esta escolha motiva-se pela representatividade da instituição no Estado, que atinge os vários segmentos da sociedade. O recorte temporal para a análise dos dados de emissão e utilização dos cartões de débito e crédito será o período de 2003 a 2007, onde verificaremos a grande ampliação destes meios de pagamento, viabilizada pelos avanços tecnológicos nas áreas de informática e comunicação, e pelas mudanças iniciadas em 1995 no sistema bancário. Buscaremos também apresentar a nova realidade do crédito proporcionada pelo cartão de crédito com abrangência internacional e o fim das barreiras territoriais do crédito em relação ao individuo comum da sociedade.

[1] Fonte: Banco Central do Brasil- 2006