Economia e Inflação: decisões atuais

Antes da estabilidade econômica o mercado brasileiro utilizava a precificação como medida de segurança perante as perspectivas inflacionárias, ou seja, antecipávamos a inflação futura. Após o Plano Real essa postura foi mudando gradativamente e hoje os preços são regidos pelas leis do mercado, oferta e procura.

As fortes chuvas do inicio de ano além de ocasionar diversas tragédias e prejuízos pelo país também são responsáveis pelo aumento de preços nos produtos alimentícios. O impacto na inflação foi imediato e os índices dos primeiros meses do ano já acenderam uma Luz de alerta no mercado brasileiro.

O Ministro Guido Mantega se pronunciou sobre a possibilidade de empresas anteciparem aumentos de preços sobre produtos e disse que o governo tomará atitudes contra os setores que fizerem “elevações não fundamentadas”.

“Os preços estão subindo porque a economia está mais aquecida esse ano. Tivemos problemas excepcionais de chuva, a alimentação puxou [os preços]. Não podemos projetar a inflação do início do ano para o resto do ano. É equivocado fazer isso, não podemos nos precipitar. Temos que ficar mais vigilantes para que não haja contágio desses preços sobre outros preços. Por exemplo, setores que já querem se antecipar em corrigir margens mesmo antes que ocorram elevações”, disse aos jornalistas após participar de evento da indústria do aço.

O ministro citou que entre as possíveis ações para conter a inflação e manter o crescimento econômico estão a redução de impostos em determinados setores, redução das tarifas de importação e o aumento da taxa básica de juros, a Selic.

O aumento dos juros deve ser analisado com cuidado, pois ocasiona a valorização do Real, que prejudica a exportação além do aumento da dívida pública, disse Mantega.

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Monografia: A Moeda Eletrônica – Cartões de Débito e Crédito (parte 1)

A história do cartão de crédito remonta à década de 1920, mas o primeiro cartão de crédito foi emitido em 1950 pelo Executivo Frank Macnamara com a denominação de Diners Club Card. Em 1956 por meio de franquia foi lançado o cartão Diners Club no Brasil, inicialmente como cartão de compras e não de crédito, apenas em 1968 é lançado o primeiro cartão de crédito por um banco, já o cartão de débito foi lançado somente em 1983. A utilização do cartão de crédito como meio de pagamento nos EUA e na Europa é bem difundido há várias décadas, mas no Brasil apesar de sua presença desde a década de 1950, como nos EUA, a sua aceitabilidade e ampla utilização só ocorreu na década de 1990, principalmente após o Plano Real e a estabilização da economia.

A partir do ano de 1995 ocorre uma crescente emissão de cartões de crédito e de débito, onde ano após ano a quantidade de cartões emitidos e ativos é cada vez maior. As novas tecnologias facilitaram em grande parte essa mudança no sistema de pagamentos, diminuindo vertiginosamente a emissão de cheques e ampliando a utilização dos meios de pagamentos eletrônicos, proporcionando mais segurança nas transações além do menor custo para o sistema. A utilização de cartões magnéticos proporcionada pelas novas tecnologias atingiu todas as modalidades de pagamento e nichos de mercado, desde os benefícios da Previdência Social (INSS), cartões telefônicos, vale Alimentação, vale transporte, lojas de departamentos, rede de combustível, cartão de contas bancárias e os cartões de crédito.

No ano 2000 o país já possuía 119 milhões de cartões emitidos, em 2003 esse número já alcançava 222 milhões, chegando em 2007 a quantidade de 436 milhões de cartões. Considerando que a população brasileira é de 183,9 milhões de habitantes (IBGE, 2007) podemos inferir que há uma emissão de 2,37 cartões por habitante. Um número muito expressivo, principalmente se considerarmos quem nem todos possuem condições etárias ou financeiras de possuir uma conta bancária, ou cartão de crédito.

Tabela 9

MERCADO DE CARTÕES

 

 

2000

2001

2002

2003

2004

2005

2006

2007

Total

Nº cartões (milhões)

119

151

183

22

277

338

386

436

Nº transações (bilhões)

1,3

1,6

1,9

2,2

2,9

3,6

4,3

5,1

Valor transações (bilhões)

69,2

93

110

134

167

209

254

311

Crédito

Nº cartões (milhões)

29

38

42

45

53

68

79

93

Nº transações (bilhões)

0,7

0,8

1

1,1

1,4

1,7

2

2,4

Valor transações (bilhões)

48,4

63,6

73

88

101

123

151

183

Débito

Nº cartões (milhões)

48

64

82

105

138

171

187

201

Nº transações (bilhões)

0,2

0,4

0,5

0,7

1,1

1,4

1,6

1,9

Valor transações (bilhões)

10,6

16,7

21,8

28,8

44,2

58,2

69,4

88

Loja e Rede

Nº cartões (milhões)

42

50

59

71

86

99

120

142

Nº transações (bilhões)

0,3

0,3

0,4

0,4

0,5

0,6

0,7

0,8

Valor transações (bilhões)

10,2

12,7

14,8

17,6

21,7

27,4

33,7

39,4

Fonte: ABECS, Associação Brasileira de empresas de cartões de crédito e serviços adaptado por Paulo S. C. Alonço

 

          A ampliação na utilização dos cartões de crédito ocasionou uma mudança nos circuitos da economia, principalmente nos últimos anos, devido à “abertura” do sistema bancário para os extratos sociais mais pobres. Vários bancos nos últimos anos buscam por meio da criação de produtos específicos e com a diminuição dos custos operacionais, atrair essa fatia da população, proporcionando a sua inclusão no sistema bancário de crédito e serviços. Essa nova realidade vem alterando significativamente as estruturas do circuito econômico, possibilitando aos novos membros do sistema financeiro um alargamento territorial do consumo que, anteriormente, era limitado ao entorno do trabalho e residência (crédito local).

Novo Real: Moeda Internacional?

Dia 03/02/2010, o Banco Central anuncia a emissão de uma nova família de notas para nossa moeda.

Vários motivos foram apresentados para justificar a mudanças, e considero que todos possuem fundamentos. Em 1994 as cédulas criadas para a mudança prevista com o Plano Real foram feitas as pressas e não utilizaram o que havia na época de mais moderno na questão de segurança. Isso pelo que verifiquei será uma das mudanças mais importantes nas novas cédulas.

Como o Ministro Guido Mantega citou o Real está se tornando uma moeda de curso mundial, devido a sua valorização, portanto merece uma nova roupagem mais moderna e no mesmo nível das principais moedas mundiais, o Dólar e o Euro.

A diferenciação no tamanho das cédulas de acordo do valor da nota também é uma vantagem. Teremos muitas reclamações da população em geral e principalmente das empresas que prestam serviços com Cashs de Auto-atendimento, pois com diferentes tamanhos os equipamentos terão de ser alterados para que atenda as novas necessidades, o que gerará custo.

A mudança gradual até 2012 está correta, pois possibilitará a sociedade uma aceitação com mais tranqüilidade e sem atropelos dos novos modelos de cédulas que circularão.

A expectativa é que a nossa moeda mantenha a sua valorização gradualmente, sem afetar a produção interna, sem gerar desequilíbrio na balança comercial e nem inflação. Com esse quadro a população realmente poderá ter dinheiro para guardar em casa, como citou o presidente do BACEN, o Sr. Henrique Meirelles.

Novas Cédulas

Para saber mais

Fusões Bancárias: Quem decide CADE ou BACEN?

martelo2Desde a implantação do Plano Real em 1994 o sistema bancário brasileiro vem sofrendo diversas mudanças. Até 1994 o país enfrentou várias crises e uma alta taxa inflacionária, chegando a 2751% entre fev/1989 e fev/1990. Como o processo inflacionário era constante os bancos conseguiam obter altos lucros apenas com a remuneração dos depósitos pela taxa de juros paga pelos papéis emitidos pelo Governo Federal, mas com a drástica redução das taxas de inflação após o Plano Real, os bancos foram obrigados a se reinventar e efetuar com urgência uma reestruturação nas suas atividades, nos produtos e nos serviços oferecidos a sua clientela.

Essa repentina mudança revelou a fragilidade do nosso sistema financeiro e várias instituições não suportaram a perda dos ganhos com o processo inflacionário e foram incorporadas por outros bancos ou simplesmente faliram. Sempre ocorreram fusões/incorporações no sistema bancário, mas a quantidade e magnitude dos processos pós Plano Real foram muito elevados.

Os grandes bancos brasileiros e alguns de capital estrangeiro demonstraram grande apetite e voracidade no processo, como podemos verificar nas aquisições ocorridas até 2006:

Comprador                         Quantidade de Aquisições

Bradesco                                                            16

Itaú                                                                       09

Unibanco                                                            08

ABN AMRO                                                         04

Santander                                                          04

O que no inicio era apenas a compra ou incorporação de um banco em dificuldades ou sem perspectivas de se manter por muito tempo no mercado passou a ser uma busca pelo posto de maior instituição financeira do país. Esse fato fica evidenciado pelas recentes fusões que ocorreram no mercado financeiro. Das cinco instituições citadas acima o Itaú incorporou o Unibanco e o Santander adquiriu o ABN AMRO aqui no Brasil. Esse processo de fusões/aquisições não se restringiu apenas aos bancos privados, pois em decorrência da crise Mundial em 2008 o Banco do Brasil foi autorizado a comprar instituições com problemas de fluxo de caixa, visando a manutenção da estabilidade do Sistema. Mas essa autorização também foi utilizada para efetuar a compra do Banco Nossa Caixa S/A, devolvendo ao Banco do Brasil o posto de maior instituição financeira do país, que tinha sido assumido pelo Itaú após a incorporação do Unibanco.

Como em todos os setores da economia as fusões entre grandes empresas devem ser analisadas por órgãos competentes do Governo visando a manutenção da concorrência e não permitindo a formação de monopólios.

No caso das Fusões bancárias existe um impasse sobre qual órgão Federal deve julgar os processos: O Banco Central ou o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE). O BACEN é o responsável pelo Sistema Bancário, mas o impasse sobre a possibilidade do CADE julgar as fusões deve-se a alegação que a concentração no mercado financeiro tem conseqüências diretas nos demais mercados não financeiros.

Mesmo após a divisão de responsabilidades entre o BACEN e o CADE, conforme acordo firmado em dezembro/2008, onde o BACEN fica responsável pela análise de Riscos ao Sistema Financeiro e o CADE pela análise dos impactos concorrênciais esta semana teve inicio no Superior Tribunal de Justiça (STJ) a votação sobre quem deve analisar as Fusões/Incorporações Bancárias, o que pode criar uma jurisprudência sobre o assunto.

Após o voto da ministra Eliana Calmon, a favor do BACEN e do ministro Castro Meira, a favor do CADE, o ministro Humberto Martins pediu vista do processo, suspendendo o julgamento sem data para ser retomado. O caso encontra-se suspenso empatado em um a um, sendo que ainda faltam cinco votos para a decisão, pois dos nove ministros do STJ, dois não participarão do julgamento, Os ministros Luiz Fux e Denise Arruda.

Independente do órgão competente para julgar as fusões/incorporações bancárias esses processos continuarão a ocorrer e promovendo constantes mudanças no mercado financeiro, onde um número cada vez menor de instituições será detentora de um percentual maior do mercado, deixando claro o processo de concentração bancária em nosso país.

Monografia: Resumo e Introdução

Resumo

O objetivo deste trabalho é apresentar sucintamente os fatores que propiciaram o surgimento do sistema bancário no mundo, sua instituição no Brasil e as alterações normativas e regulamentadoras que moldaram o sistema vigente no país e os impactos destas mudanças nos circuitos econômicos, principalmente após a implantação do Plano Real em 1994, que culminou numa grande reestruturação de todo o sistema por meio de mudanças nas atividades dos agentes financeiros do país. Entre os principais fatos que ocorreram após este evento citaremos as mudanças de controle acionário nas instituições ativas no país devido às aquisições por grupos estrangeiros, por meio dos programas de reestruturação do sistema (PROER e PROES) ou pela própria dinâmica do sistema. Para finalizar analisaremos as mudanças nos meios de pagamentos existentes, chegando aos meios eletrônicos proporcionados pelos cartões magnéticos de débito e crédito e sua representatividade nos dias atuais.

Palavras chave: Sistema Bancário, moeda, cartões de débito, cartões de crédito, Plano Real.

1- Introdução

Este trabalho tem como objetivo apresentar o surgimento do sistema bancário no Brasil, suas alterações e regulamentações e analisar os efeitos da nova dinâmica bancária, pós 1994, criada com a implantação do plano Real e com os novos produtos bancários lançados no mercado, especialmente a emissão e utilização dos cartões magnéticos de débito e crédito. Analisaremos os efeitos destas mudanças com vistas nos impactos causados nos circuitos da economia urbana e a conseqüente reorganização do espaço urbano. O nosso recorte espacial será o Estado de São Paulo em função da sua importância no cenário nacional, representando cerca de 40% da movimentação financeira do país e por possuir a maior rede bancária entre os estados brasileiros, com 32,70%[1] do total de agências bancárias do país. Devido a essa grande rede bancária existente no Estado, constituída por diversas instituições financeiras, optamos por aprofundar a questão da emissão dos cartões magnéticos em apenas uma instituição financeira, o Banco Nossa Caixa S/A. Esta escolha motiva-se pela representatividade da instituição no Estado, que atinge os vários segmentos da sociedade. O recorte temporal para a análise dos dados de emissão e utilização dos cartões de débito e crédito será o período de 2003 a 2007, onde verificaremos a grande ampliação destes meios de pagamento, viabilizada pelos avanços tecnológicos nas áreas de informática e comunicação, e pelas mudanças iniciadas em 1995 no sistema bancário. Buscaremos também apresentar a nova realidade do crédito proporcionada pelo cartão de crédito com abrangência internacional e o fim das barreiras territoriais do crédito em relação ao individuo comum da sociedade.

[1] Fonte: Banco Central do Brasil- 2006

Estabilidade econômica: Ela veio para ficar?

realA maioria dos brasileiros se lembrará do ano de 1994 como a data da conquista do pentacampeonato mundial de futebol pela nossa seleção na Copa dos Estados Unidos, mas o fato mais marcante deste ano foi o lançamento do Plano Real.

Na segunda metade do século XX o país passou por várias crises inflacionárias, geradas pelo aumento dos gastos públicos, por crises internacionais, como a do petróleo na década de 1970 ou pelo aumento dos juros da dívida externa. O auge desse processo aconteceu nas décadas de 1980/90, quando a taxa de inflação chegou a atingir 2.751% entre fevereiro/1989 e fevereiro/1990, período em que o governo brasileiro instituiu diversos planos econômicos objetivando minimizar o processo inflacionário. Os principais planos econômicos lançados pelo governo nas décadas de 1980/1990 foram:

– Os planos Cruzado I e Cruzado II em 1986;

– O Plano Bresser em 1987;

– O plano Verão em 1989;

– O plano Collor I em 1990 e o Collor II em 1991.

Todos esses planos fracassaram na intenção de resolver o crônico problema inflacionário do país.  Com base nos fracassos anteriores o Plano Real foi elaborado em Julho/1994 na gestão do Presidente Itamar Franco e do Ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso, calcado na paridade do Real com o Dólar e o não congelamento de preços. Após alguns ajustes, o Plano Real se consolidou e possibilitou ao país taxas de inflação nos patamares de países do Centro do sistema capitalista.

Os mais jovens não sabem o que é viver num com uma inflação que chegou a 84% ao mês, onde você recebia seu salário e corria ao supermercado para evitar uma maior desvalorização do seu dinheiro.

O Plano Real implantado em 1994 e vários ajustes foram feitos para que seu sucesso fosse mantido ou ampliado. Como reflexo dessas ações hoje o país pratica taxa de juros de apenas um digito (Selic 8,75% a.a), possui linhas de crédito de longo prazo e conquistou a credibilidade dos investidores financeiros internacionais.

Mas será que após 15 anos podemos nos tranqüilizar e ter a certeza que nosso país está seguro e que estamos preparados para suportar todas as turbulências que podem acometer a economia mundial?

Apesar da inflação se manter sobre controle (4,5% a.a.), ainda precisamos acabar com alguns resquícios da época das elevadas taxas inflacionárias como as clausulas existentes em contratos de longo prazo que insistem em conter fórmulas de reajustes automáticos, gerando uma indexação de preços e tarifas, principalmente no setor de serviços.

Outros importantes pontos que deve ser abordados com seriedade são as reformas fiscal, tributária e da previdência e a renegociação de dívidas com os Estados, além da ampliação dos gastos nas áreas sociais e na infra-estrutura do país.

Essas mudanças são de grande importância para manter a vitalidade da nossa economia, pois reduzirão a carga de impostos sobre nossos produtos e serviços, trazendo maiores condições das nossas empresas competirem no acirrado mercado internacional e por conseqüência gerando mais riquezas para o nosso país e nosso povo.